2013 in review

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[RP] Ad maiorem Dei gloriam colligimus |10

A sala trancada da Biblioteca de Coimbra! – exclamou Sylarnash ao ouvir as palavras do seu tio relativamente ao desconhecimento por completo da biblioteca. A segunda sala da Biblioteca da Diocese passava por ser um mito a muitos clérigos e em especial aos de fora, já Sylarnash e a maioria dos Cónegos de Coimbra sabiam da existência de tal sala mas o detentor das chaves que a abriria permanecia um mistério.

A face de Sylarnash ficara um pouco rosada, de vergonha juntamente com uma pitada de espantado por não ter pensado em procurar sequer na Biblioteca da Diocese. Por momentos o Cónego-Conde sorriu, de seguida engoliu em seco prevendo uma repreensão por ter vindo diretamente chatear o velho vigário, mas encheu-se de coragem e decidiu finalmente falar.

– Não tinha sequer pensado em procurar na Biblioteca Pública da Diocese, as conclusões que retirei dos bocados da história a que tive acesso com os poucos e velhos documentos que mantenho na Residência em Aveiro turvaram-me de tal maneira o pensamento que não soube sequer pensar direito. – lamentou-se arrependido e desiludido consigo mesmo – Depois da noite passar vim direito a si. – terminou confessando o “crime”

Por momentos o Velho Clérigo Albuquerque moveu-se lentamente pelo quarto, o Conde de Óbidos depreendeu que procuraria novamente iluminação acerca da dita sala trancada, mas, para espanto do Cónego da Santa Inquisição, Guido de Albuquerque dirigiu-se para uma estante em particular e para um livro em especial. Sylarnash assistiu enquanto o seu tio retirava aquele livro da estante, a capa deste encontrava-se gasta, havia rastos dourados na para frontal do livro, provavelmente pertencentes a um título do livro. De seguida o Velho Clérigo retirou de dentro do livro dois pedaços de papel, e novamente para espanto de Sylarnash uma chave.

– Tio essa é a chave…? – disse apontando para a mesma – Devemos viajar imediatamente? – ouviu-o dizer e repetiu as suas exatas palavras – Essa é a chave da sala trancada? Partiremos para Coimbra?

[RP Ad maiorem Dei gloriam Colligimus | 9

As palavras filosóficas do seu tio caíram-lhe no seu interior, na sua alma. Sylarnash abanava afirmativamente a cabeça a cada palavra do Vigário em sinal de compreensão.
No momento em que lhe fora colocada a questão sobre quem e qual o motivo da caixa ter sido deixada, Sylarnash fora obrigado a intervir, interrompendo o Vigário.

– Tio, o seu espanto é tão grande quanto o meu, não entendo porque razão não se identificaram ou não entregaram a caixa em mãos, ou porque razão a entregaram, mas… – fazendo uma pausa o Conde de Óbidos encolheu os ombros e prosseguiu – O facto de saber que me é destinada, e só o mero facto de imaginar o seu conteúdo, afasta-me do quem ou porquê.

O Conde de Vilar Maior continuou o seu discurso, efetuou outra questão e em sintonia com aquilo que Sylarnash pensava, ele mesmo expressou o seu interesse em ver a caixa aberta.

– Tem toda a razão, precisamos abrir a caixa. – Sylarnash mostrou-se triste por segundos e continuou – Não trouxe a caixa comigo, era algo importante demais para transportar nesta tão repentina viagem, os riscos eram demasiado elevados. A caixa está guardada em segurança na mais segura sala de minha ca… – o conde estranhamente interrompeu-se a si próprio e continuou de seguida – Já me esquecia, a caixa tinha uma espécie de fechadura, era estranha, tinha uma abertura em forma de cruz, mas eu não tenho nada assim. – afirmou desapontado

[RP] Ad maiorem Dei gloriam colligimus | 8

Sylarnash tomara nas suas mãos o livro que até então se encontrara guardado. A sua existência era totalmente desconhecida, e teria sido sem dúvida algo trabalhoso obter tamanha coleção de documentos e tão bem conservados. Quem saberia os segredos que ali se encontrassem…

Mas espanto á parte o Conde seguiu de imediato para a comparação dos documentos.

– Bem. – soltou uma curta e monossilábica exclamação ao confrontar frente a frente os dois documentos – A semelhança é sem dúvida extraordinária. Não há uma curva fora do lugar! – disse – E o carimbo também aqui está, tal como esperado. – somou Sylarnash anuindo com a cabeça

Dois segundos se passaram, e então o Cónego-Conde pousou aquele portefólio, nada mais havia a fazer com ele apesar da imensa curiosidade quanto aos restantes pergaminhos. Logo após também Sylarnash se voltou a sentar, ficando de novo frente-a-frente com o Velho Conde-Vigário, e finalmente desabafou.

– Tio, ontem algo de estranho aconteceu. Pensei que não fosse mais que um objeto deixado para trás, quem sabe por uma carroça de mercador, mas a verdade é que tudo aponta exatamente para o contrário. – uma longa pausa se seguiu, exatamente para não deixar soltar tudo de uma vez – Um dos guardas trouxe até mim uma caixa que fora encontrada logo após os portões principais da propriedade. E apesar de ter tentado perceber a quem pertencera não tive sorte. Mas então notei uma pequeno envelope colado, um envelope com esse pergaminho. – disse apontando para a secretária onde Sylarnash o tinha deixado – É demasiado obvio o objeto para o qual apontam estes versos, confirmada a autoria do documento e também que a mim foi dirigido fica a questão no ar. Onde se encontrará o objeto divino? Na caixa? – questinou

02 Outubro 1461 – De regresso do Porto

Uma pequena e discreta comitiva fazia o seu caminho de regresso a Aveiro. No interior daquela comum e nada elegante carruagem encontrava-se o Conde de Óbidos que planeou atabalhoadamente uma curta viagem à cidade capital do Condado do Porto.

Três dias antes, Sylarnash deparava-se com uma reserva de madeira extremamente limitada e com o constante emprego da madeira na confeção de pão para uso diário, aquela curta reserva não duraria uma semana. Urgia adquirir um novo carregamento de madeira, e a escassez de madeira pelo norte do Reino de Portugal era uma realidade, felizmente o Conde conhecia o fornecedor ideal.

E era exatamente de um encontro com um lenhador portuense que Sylarnash regressava. Já no pátio da Residência do Conde de Óbidos em Aveiro, e já no exterior da carruagem Sylarnash dava algumas instruções acerca do destino de cada um dos objetos. Naquele momento um dos criados destapara os dois barris que juntamente com a madeira viajaram na carroça que seguiu anexa à carruagem do Conde.

– Coloquem o vinho retsina na adega e tenham cuidado com o barril, ou melhor o conteúdo deste, custou-me uma fortuna! – frisou Sylarnash referindo-se ao extremamente raro vinho grego que por sorte conseguira no Porto – E não se esqueçam do outro barril ainda ali em cima! – disse, referindo-se ao barril de vinho de Bordeaux.

Um par de criadas tomaram posse dos cestos de uvas que restavam na carroça, e por fim o Conde de Óbidos regressou à sua carruagem e retirou a pequena caixa contendo algumas herbáceas que comprara, algumas das quais raras e com poderes curativos.

E num piscar de olhos, como se nada se passasse, o alarido que por segundos se fez sentir na residência de Sylarnash silenciou-se. Os transportes encontravam-se fora do pátio, os animais que viajaram estavam a ser alimentados, os serviçais haviam regressado aos seus afazeres diários e Sylarnash regressara ao interior do seu lar e encontrava-se a descansar.

[RP] Ad maiorem Dei gloriam colligimus | 7

O ar sisudo com que o Vigário encarara aquele pedaço de papel foi tudo menos antecipado por Sylarnash. A reação não tinha sido a esperada, a expressão facial acrescida pela aparente imobilidade do seu tio fez Sylarnash temer o pior e ele empalideceu, no entanto como que por magia, breves segundos depois Monsenhor Guido despertou daquele transe e expressou-se, mostrando o ar reprovador que o Cónego Sylarnash não via à anos.

– Monsenhor, por favor, acalme-se. – pediu Sylarnash – Tudo a seu tempo, dir-lhe-ei como obtive este pedaço de pergaminho e a sua aparente razão para a sua existência mas tudo a seu tempo.

Sylarnash, que até então estivera pálido, ganhou alguma cor, sorriu e mergulhou novamente no assunto em mãos. Não da forma como tinha planeado, mas tentando algo diferente – não expondo o assunto de uma só vez, visto que poderia causar alguma maleita ao seu tio, mas sim tentando primeiro apaziguar os ânimos naquele quarto.

O Conde de Óbidos levantou-se, mostrando-se mais sereno, no entanto apenas fazendo transparecer tal sentimento, o assunto ainda ali estava e a sua perturbabilidade permanecia. Ele apontou para a carta que o seu tio tinha em mãos e com uma mão sobre o ombro do mesmo pediu algo ao seu tio.

– Nobre tio poderia verificar e confirmar se esta é a letra do nosso tio-Cardeal? – fazendo uma curta pausa, apenas para se recompor, explicou-se de imediato – Sabemos que este é o símbolo usado pelo Cardeal Miguel Ângelo Albuquerque, mas somente a letra provará que esta pequena carta foi escrita pelo próprio, e se foi… – uma nova pausa se seguiu, repetindo-se Sylarnash – E se foi, bem… – outra pausa se fez sentir naquele quarto – Lá chegaremos. – disse Sylarnash

13 Setembro 1461 – Coroação de Ruy.de.angelo

Estranhamente o mandato de Ruy de Angelo Silva como Conde do Porto já se aproximava do seu final e a cerimónia só agora teria lugar. O pensamento que “Antes tarde que nunca” vagueava pela mente do Conde de Óbidos, enquanto este se preparava.

Naquela manhã solarenga era impossível não querer passear ou, pelo menos, dar umas passadas recebendo os brilhantes raios de Sol. Estava um dia fantástico e ideal para uma cerimónia. Sorte do Ruy que tivera a sua cerimónia apressada para aquele dia.

A viagem não se tornara um grande dissabor para Sylarnash, tratando-se de uma cerimónia de alguém amigo o tempo de espera de nada importava. E um par de horas depois de ter saído do ponto de partida, a carruagem carregada de cor de prata e faixas azuladas já se encontrava parada nas imediações da Catedral, no seu interior já não se encontrava o proprietário.

Sylarnash apressava o seu passo pelo corredor principal daquela Casa de Jah, procurava manter-se fora do foco das atenções – naqueles tempos não suportava a tirania com que alguns olhavam para outros e por preferia manter-se pouco notado.
Alguns passos mais foram dados e Sylarnash chegou a um banco da Catedral com o seu nome entre outros demais Albuquerques, e aí Sylarnash se sentou a aguardar o início da cerimónia.